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São
Paulo, 21 de setembro de
2006. |
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Sem
sonegação e calote, carga fiscal é de 59% do PIB |
Se todos os contribuintes --pessoas
físicas e empresas-- pagassem todos os tributos corretamente, como manda a
lei, sem sonegação e calote, qual seria a carga tributária no país? Um
estudo feito pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário)
revela que a carga tributária potencial, nesse caso, é de 59,38% do PIB
(Produto Interno Bruto). O índice considera a carga tributária de 2005,
quando foram arrecadados R$ 732,87 bilhões em impostos e contribuições -
incluindo os governos federal, estaduais e municipais.
Segundo o
advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT e um dos autores do
estudo, o sistema tributário brasileiro onera demais a produção e os
salários --somente essas duas bases representam mais de 76% da arrecadação
total. "Isso gera uma enorme injustiça fiscal, inibe o crescimento
econômico e é a principal razão da economia informal.”
O sistema tributário onera demais a atividade produtiva e os
salários e muito pouco os ganhos financeiros (a taxa de juros reais está
em torno de 10%). Os números da Receita comprovam a forte taxação sobre
empresas e salários. Em 2005, a receita total do Imposto de Renda
(R$ 124,7 bilhões) representou 34,21% do PIB. As empresas pagaram o
equivalente a R$ 51,2 bilhões, sendo R$ 7,33 bilhões das entidades
financeiras e R$ 43,87 bilhões das demais empresas.
O IR retido
mensalmente na fonte somou R$ 66,19 bilhões, sendo R$ 35,85 bilhões dos
rendimentos do trabalho (leiam-se salários) e R$ 20 bilhões dos
rendimentos de capital (leiam-se aplicações financeiras). E mais: o IR
sobre as remessas para o exterior gerou receita de apenas R$ 6,19
bilhões.
Carga
potencial
Para chegar aos 59,38% da carga potencial, o
estudo do IBPT parte da carga tributária efetiva (soma de todos os
tributos pagos dividida pelo PIB), que foi de 37,82% no ano passado (os
37,82% são resultado dos R$ 732,87 bilhões em relação ao PIB de R$ 1,937
trilhão).
Para chegar aos 59,38% da carga potencial, o IBPT exclui da receita total o valor de multas, juros e
correção e inclui o que foi sonegado e a inadimplência.
Segundo
estudo do instituto sobre evasão fiscal no país, 39,11% de toda a
arrecadação tributária não entra nos cofres públicos devido à sonegação e
à informalidade. Como a receita foi de R$ 732,87 bilhões, o IBPT chegou a
R$ 286,63 bilhões.
O IBPT considera como inadimplência os tributos
declarados pelas empresas e pessoas físicas, mas que não são pagos no
prazo legal (R$ 183,32 bilhões). No total, R$ 469,95 bilhões.
Já
sonegação e informalidade referem-se a atividades que não passam pelo
controle dos fiscos (venda sem nota fiscal, pirataria, contrabando,
empregados não registrados etc.).
Fonte: Folha
Online
Renato Henrique
Fonseca
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Hugo
Amano
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