São Paulo,   10 de agosto de 2006             

 

Qual o melhor preço para o seu produto? 

  

As vendas de sua empresa decolaram em 2005 , atingindo um recorde histórico. Porém, o que teoricamente seria apenas motivo de comemorações pode significar

o início do fim de um negócio. Isso porque, na ânsia de desovar produtos, um único e preponderante fator não foi levado em conta: a margem de contribuição. O desprezo a esse "detalhe" leva muitas companhias a formular seus preços inadequadamente e desconsiderar completamente a composição dos custos.

Não raras foram as situações em que encontramos empresas de pequeno porte apostando apenas no fator concorrência para mensurar o preço. Quem ainda segue esse pensamento provavelmente estará hoje com a calculadora na mão, tentando achar uma fórmula milagrosa para sanar as dívidas com seus fornecedores - e sem caixa suficiente. Volume não é sinônimo de eficiência.

O resultado dessa prática amadora aparece nas estatísticas oficiais. As companhias fecham as portas, 71% delas em menos de três anos, por não ter paciência de esperar 365 dias para começar a ver os lucros. Os novos empreendedores não se mostram capazes de formar capital de giro e consideram normal retirar todo o lucro da empresa nesse período. E a regra é geral: metade dele tem mesmo de ser reinvestido no negócio.

Em 2005 , as festas de final de ano contribuíram para um recorde no volume de vendas, mas a rentabilidade não alcançou o nível desejado. Está aí um dos maiores indícios de que o preço praticado pela empresa, geralmente pressionado para baixo, é um equívoco completo. O aspecto mais importante a ser analisado chamase margem de contribuição - a diferença entre a receita total (vendas) menos os custos e despesas variáveis.

Lembremos daquele fluxo de vendas tão comemorado, mas que foi simplesmente anulado pelos gastos excessivos. E como controlá-los? Em primeiro lugar, é  preciso compreender quais são essas despesas. Uma delas refere-se ao custo do bem - calculado na sua produção, aquisição ou na realização dos serviços. Cabe ressaltar que os créditos dos impostos sobre tais custos variam conforme o regime tributário adotado pela companhia, tendo em vista que estamos considerando somente o débito na venda do produto.

Já as despesas variáveis envolvem o cálculo dos impostos sobre as vendas, sendo o mais relevante o ICMS, cujas alíquotas diferenciadas podem influir na oferta de descontos de acordo com a região de atuação da empresa. Para as indústrias, porém, o IPI não deve ser incluído nessa conta - pois não está incluso no preço do produto. Por custos fixos pode-se entender despesas como mão-de-obra administrativa, correio, telefone, aluguel, honorários de contador, seguro, salário dos funcionários.

A partir desses cuidados, as corporações apresentam mais chances de alcançar seu ponto de equilíbrio. Não pode ser ignorado também o histórico das vendas médias dos últimos doze meses. E com uma boa auditoria preventiva, todas as empresas têm o dever de aferir esse custo e validá-lo junto à área comercial, aí sim o comparando à concorrência e identificando a distorção do preço em relação às práticas do mercado. O resultado pode até ser uma elevação dos valores e alguma queda do faturamento, mas um resultado digno de comemoração. Não se esqueça: cálculo de preço é parte essencial do planejamento estratégico. Se você quer escapar das tristes estatísticas, pense bem nisso.

 

Marcelo Teixeira Cossalter

teixeira@rcsauditores.com.br

 

Para mais informações: (011) 3045-5885

 


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