São Paulo, 18 de julho de 2006          

 

Fiscais obrigados a engordar Leão

  

 

 

O fim da greve dos auditores fiscais da Receita Federal pode significar mais um cerco aos contribuintes. A categoria conseguiu um reajuste de 34% nas gratificações. Uma delas, porém, está vinculada à meta de arrecadar R$ 4 bilhões mais do que o previsto. "Esperamos aumentar a arrecadação por efeito de combate à sonegação", explica o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco Nacional), Carlos André Soares Nogueira.

Há anos, a Gratificação de Incremento da Fiscalização e da Arrecadação (Gifa) recebida pelos auditores é vinculada a metas de mais tributos para os cofres da União. Para 2006, a gratificação seria correspondente a 45% da remuneração básica (sem gratificações) dos auditores, se fosse atingida a meta de R$ 358 bilhões. Com a aprovação da Medida Provisória n° 302 – que levou os auditores a encerrar a greve iniciada em maio – a Gifa será de 95%, desde que seja atingida a marca de R$ 362 bilhões em arrecadação para a União, um montante considerado alto para o presidente do Unafisco Nacional. "Assim, não sabemos se o reajuste vai se concretizar ou não", diz.

A vinculação de salário à arrecadação passou a ser usada, também, para os fiscais municipais. Em janeiro deste ano, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), sancionou a Lei n° 14.133/06, que trata da modernização da administração tributária e prevê abonos salariais mensais aos auditores fiscais do município, conforme a meta de arrecadação atingida. Chamada de Super-Receita municipal, a aprovação da nova legislação foi considerada uma vitória pelo governo. "Isso porque a categoria é responsável direta pelo incremento da receita municipal. E, à medida que atuarem mais satisfeitos, vão arrecadar mais", disse o vereador Ricardo Montoro, líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo.

Pela lei, a chamada Gratificação de Produtividade Fiscal dependerá do cargo e do cumprimento das metas do Programa de Modernização da Administração Tributária. A legislação estabelece ainda que essas metas serão definidas pelo Secretário de Finanças da capital e que o valor da meta mínima de arrecadação será correspondente à previsão de arrecadação para o respectivo período.

Na esfera estadual, a vinculação de salário dos agentes fiscais com metas de arrecadação existe desde 1990. Segundo a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz), esse sistema foi instituído com o objetivo de motivar os fiscais a buscarem níveis de produtividade cada vez mais altos e, com isso, elevar ao máximo as receitas para o estado. Cada trabalho fiscal realizado recebe uma pontuação que se converte em cotas, cujo limite é de 2,7 mil por mês. Com isso, e dependendo do cargo, a remuneração do agente fiscal municipal pode variar entre R$ 8,5 mil e R$ 14,8 mil.

Fonte: Diário do Comércio

 

Hugo Amano 

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