São Paulo,  30 de agosto de 2006             

 

Faturamento do comércio eletrônico cresce 79% no semestre

  

O comércio eletrônico brasileiro faturou 1,75 bilhão de reais no primeiro semestre. A cifra é 79% maior que os 974 milhões de igual período do ano passado e equivale, também, à receita obtida pelo varejo on-line durante todo o ano de 2004. O valor não considera a compra de passagens aéreas, sites de leilão e automóveis. "Esperávamos bons números, mas não tão bons quanto os divulgados", afirma Manuel Matos, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net).

O primeiro fator que contribuiu para o resultado foi a expansão do número de pessoas que realizam compras on-line. O país encerrou junho com 5,75 milhões de consumidores on-line, ante 4,7 milhões em dezembro de 2005. Essa expansão foi puxada sobretudo pela entrada de um maior número de consumidores da classe C nas transações on-line. Os compradores com renda familiar de até 3 salários mínimos passaram de 38% do total, em 2001, para 45% em junho de 2006. Enquanto isso há uma ligeira queda na participação de todas as demais faixas de renda, segundo a pesquisa.

Há vários motivos que explicam a maior presença da classe C no varejo on-line. "Hoje, é mais fácil comprar um computador popular com acesso à internet, por exemplo", afirma Pedro Guasti, diretor-geral da e-bit. A maior oferta de acesso à web em quiosques públicos, escolas, centros digitais e cibercafés também ajuda. Outra razão é o avanço da internet de alta velocidade no país. Por último, grandes redes varejistas com forte presença na classe C começaram a oferecer vendas pela internet. É o caso da Pernambucanas, que inaugurou o seu site em junho.

O avanço da classe C não reduziu fortemente, porém, o tíquete médio de vendas online. No ano passado, a média gasta por compra era de 300 reais. Neste ano, a faixa ficou entre 273 reais e 297 reais, dependendo do mês considerado. Para Guasti, da e-bit, isso assinala um equilíbrio entre os compradores da classe A que, embora perdendo participação percentual, buscam artigos mais sofisticados, e as classes mais populares.

Apesar dos resultados, ainda há muito espaço para ampliar o número de consumidores online. O número de internautas brasileiros é de 32 milhões de pessoas. Desse total, cerca de 20 milhões utilizam os serviços de internet banking. "Se há uma referência, pode-se dizer que a meta é incorporar todos os usuários de internet banking ao varejo online", afirma Matos, da Camara-e.net.

 

Fatores sazonais

Duas fortes datas comemorativas também contribuíram para o resultado semestral – o Dia das Mães, considerado pelo comércio em geral como o "Natal" do primeiro semestre – e o Dia dos Namorados. Além disso, a Copa do Mundo também incentivou o consumo de televisores e aparelhos eletrônicos, camisas e artigos esportivos. Com isso, o período de 29 de abril a 30 de junho, que envolve os três eventos, concentrou 39% do faturamento do semestre, ou 690 milhões de reais.

Um indício do peso do torneio mundial de futebol sobre as vendas foi a maior participação de DVDs players, câmeras digitais, televisores e artigos eletrônicos nos negócios dos período. No primeiro semestre do ano passado, essa categoria representou 12,9% das vendas. Neste ano, passou para 14,3%.

Guasti, da e-bit, destaca ainda uma mudança cultural dos consumidores, decorrente das novas tecnologias digitais. "Os consumidores mais jovens não compram CDs, por exemplo, mas faixas de música", diz. Com isso, a categoria de CDs, DVDs e vídeos, que liderava as vendas em 2004, com 27,3% da demanda, recuou para segundo lugar neste semestre, com 15,9%. Livros, jornais e revistas também caíram de 21,5% para 18,4%.

 

Expectativas

A Camara-e.net e o e-bit estimam que o Brasil encerrará 2006 com cerca de 6,8 milhões de consumidores online. Isso significa que, até o final do ano, mais 1 milhão de pessoas realizarão pelo menos uma compra via internet. A expectativa é que o faturamento do comércio online atinja 4 bilhões de reais até dezembro. Se isso ocorrer, significará uma alta de 60% sobre os 2,5 bilhões de reais movimentados no ano passado.

"O comércio eletrônico continuará crescendo dois dígitos, no mínimo, pelos próximos cinco anos", afirma Matos, da Camara-e.net. O avanço da bancarização da população, que aumenta o número de usuários de internet banking, a maior oferta de computadores e de acesso banda larga, a mudança da cultura de consumo e a chegada da TV digital ao país são algumas das alavancas que impulsionarão as vendas online nos próximos anos, segundo o especialista.

 

Fonte: Portal Exame

Marcelo Teixeira Cossalter

teixeira@rcsauditores.com.br

 

Para mais informações: (011) 3045-5885

 


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