| |||
O
comércio eletrônico brasileiro faturou 1,75 bilhão de reais no primeiro
semestre. A cifra é 79% maior que os 974 milhões de igual período do ano
passado e equivale, também, à receita obtida pelo varejo on-line durante
todo o ano de 2004. O valor não considera a compra de passagens aéreas,
sites de leilão e automóveis. "Esperávamos bons números, mas não tão bons
quanto os divulgados", afirma Manuel Matos, presidente da Câmara
Brasileira de Comércio Eletrônico
(Camara-e.net). O
primeiro fator que contribuiu para o resultado foi a expansão do número de
pessoas que realizam compras on-line. O país encerrou junho com 5,75
milhões de consumidores on-line, ante 4,7 milhões em dezembro de 2005.
Essa expansão foi puxada sobretudo pela entrada de um maior número de
consumidores da classe C nas transações on-line. Os compradores com renda
familiar de até 3 salários mínimos passaram de 38% do total, em 2001, para
45% em junho de 2006. Enquanto isso há uma ligeira queda na participação
de todas as demais faixas de renda, segundo a
pesquisa. Há
vários motivos que explicam a maior presença da classe C no varejo
on-line. "Hoje, é mais fácil comprar um computador popular com acesso à
internet, por exemplo", afirma Pedro Guasti, diretor-geral da e-bit. A
maior oferta de acesso à web em quiosques públicos, escolas, centros
digitais e cibercafés também ajuda. Outra razão é o avanço da internet de
alta velocidade no país. Por último, grandes redes varejistas com forte
presença na classe C começaram a oferecer vendas pela internet. É o caso
da Pernambucanas, que inaugurou o seu site em
junho. O
avanço da classe C não reduziu fortemente, porém, o tíquete médio de
vendas online. No ano passado, a média gasta por compra era de 300 reais.
Neste ano, a faixa ficou entre 273 reais e 297 reais, dependendo do mês
considerado. Para Guasti, da e-bit, isso assinala um equilíbrio entre os
compradores da classe A que, embora perdendo participação percentual,
buscam artigos mais sofisticados, e as classes mais
populares. Apesar
dos resultados, ainda há muito espaço para ampliar o número de
consumidores online. O número de internautas brasileiros é de 32 milhões
de pessoas. Desse total, cerca de 20 milhões utilizam os serviços de
internet banking. "Se há uma referência, pode-se dizer que a meta é
incorporar todos os usuários de internet banking ao varejo online", afirma
Matos, da Camara-e.net. Fatores
sazonais Duas
fortes datas comemorativas também contribuíram para o resultado semestral
– o Dia das Mães, considerado pelo comércio em geral como o "Natal" do
primeiro semestre – e o Dia dos Namorados. Além disso, a Copa do Mundo
também incentivou o consumo de televisores e aparelhos eletrônicos,
camisas e artigos esportivos. Com isso, o período de 29 de abril a 30 de
junho, que envolve os três eventos, concentrou 39% do faturamento do
semestre, ou 690 milhões de reais. Um
indício do peso do torneio mundial de futebol sobre as vendas foi a maior
participação de DVDs players, câmeras digitais, televisores e artigos
eletrônicos nos negócios dos período. No primeiro semestre do ano passado,
essa categoria representou 12,9% das vendas. Neste ano, passou para
14,3%. Guasti,
da e-bit, destaca ainda uma mudança cultural dos consumidores, decorrente
das novas tecnologias digitais. "Os consumidores mais jovens não compram
CDs, por exemplo, mas faixas de música", diz. Com isso, a categoria de
CDs, DVDs e vídeos, que liderava as vendas em 2004, com 27,3% da demanda,
recuou para segundo lugar neste semestre, com 15,9%. Livros, jornais e
revistas também caíram de 21,5% para
18,4%. Expectativas A
Camara-e.net e o e-bit estimam que o Brasil encerrará 2006 com cerca de
6,8 milhões de consumidores online. Isso significa que, até o final do
ano, mais 1 milhão de pessoas realizarão pelo menos uma compra via
internet. A expectativa é que o faturamento do comércio online atinja 4
bilhões de reais até dezembro. Se isso ocorrer, significará uma alta de
60% sobre os 2,5 bilhões de reais movimentados no ano
passado. "O
comércio eletrônico continuará crescendo dois dígitos, no mínimo, pelos
próximos cinco anos", afirma Matos, da Camara-e.net. O avanço da
bancarização da população, que aumenta o número de usuários de internet
banking, a maior oferta de computadores e de acesso banda larga, a mudança
da cultura de consumo e a chegada da TV digital ao país são algumas das
alavancas que impulsionarão as vendas online nos próximos anos, segundo o
especialista. Fonte:
Portal Exame Marcelo
Teixeira Cossalter
|
--
No virus found in this outgoing message.
Checked by AVG
Free Edition.
Version: 7.1.394 / Virus Database: 268.10.5/407 - Release Date:
3/8/2006