São Paulo, 14 de agosto de 2006

 

  CPMF pode provocar ineficiência, diz OCDE

  

 

Impostos sobre transações bancárias, como a CPMF, provocam desintermediação financeira, ou seja, tiram clientes dos serviços de bancos na América Latina e podem gerar ineficiência na economia.

É a constatação de estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que comparou o resultado desses tributos na Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Foi o governo dos Estados Unidos que introduziu a primeira cobrança nas Américas. Em 1898, passou a impor taxa de US$ 0,02 sobre os cheques para financiar a guerra contra a Espanha. Um século depois, prática similar propagou-se na América do Sul, começando pela Argentina, para atenuar dificuldades fiscais.

O imposto tem grande diversidade na região. As alíquotas são diferentes, e alguns governos cobrando sobre transações de débito e crédito como Argentina e Equador, comparado a outros que cobram apenas sobre o débito, como a CPMF.

A receita do imposto diminui ao longo do tempo, por isso alguns governos aumentam a taxação. Só que altas sucessivas erodem mais a base da taxação do que eleva a receita. Ou seja, resulta em menor intermediação financeira, com mais pessoas fazendo transações fora do circuito bancário. Além disso, quanto maior a taxa, maior o risco de empréstimos fora dos bancos, diz o estudo.

No Brasil, a cobrança de transações bancárias foi introduzida em julho de 1993, originalmente para financiar programas de saúde. Em três meses o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) foi abolido pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de que era contrário à Constituição. Mais tarde, o mesmo tribunal permitiu o IPMF com taxa de 0,25% entre janeiro e dezembro de 1994.

Em janeiro de 1997, a taxa foi reintroduzida como Contribuição (CPMF). Desde então, o percentual tem aumentado. Atualmente está em 0,38% do valor movimentado.

A OCDE constata que a CPMF tem uma receita constante ao longo do tempo, porque "não é excessivamente alto" e porque o sistema bancário do país é sofisticado e amplamente usado para pagamentos.

No entanto, a OCDE adverte que esse tributo "promoveu alguma desintermediação financeira no Brasil", medida pelo montante de dinheiro fora dos bancos comparado aos ativos líquidos das instituições bancárias.


Fonte: Valor Online

 

Robson Araújo 

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Hugo Amano 

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