São Paulo,  31 de agosto de 2006             

 

Auditores discutem modelo de administração tributária

  

Cerca de 600 auditores fiscais, de todos os estados brasileiros, se reunirão até o dia 11 de agosto em Gramado. O objetivo do encontro, que começou ontem, é discutir e propor um modelo de administração tributária uniforme para todas as unidades da federação. Entre os temas do debate estão o plano de carreira exclusivo do fisco, a colaboração entre a União Européia e o Ministério da Fazenda e o futuro dos impostos indiretos, como o ICMS e o IVA.

O evento, promovido pela Federação Nacional do Fisco Estadual (Fenafisco) e pelo Sindicato dos Fiscais de Tributos Estaduais do Rio Grande do Sul (Sintraf/RS), contará com representantes de Portugal, da França e da Espanha, países que possuem os modelos administrativos melhor conceituados internacionalmente. O inspetor da Fazenda da Agência Tributária Espanhola (AEAT), Eduardo Verdún Fraile, um dos palestrantes do encontro, falou ao Jornal do Comércio sobre a experiência européia no setor tributário.

Jornal do Comércio - Quais são os desafios da administração tributária?

Eduardo Verdún - Agora mesmo, o maior problema que temos na Espanha é tentar harmonizar um pouco o funcionamento do sistema. É a coordenação entre a administração central do estado, através do funcionamento da Agência Tributária, e dos órgãos equivalentes nas Comunidades Autônomas, que são correspondentes, no Brasil, aos distintos estados. Talvez o desafio deste encontro seja semelhante ao de lá.

JC - Quais as vantagens de uma maior coordenação entre os fiscos territoriais (estaduais) e o nacional?

Verdún - Quanto melhor for a comunicação entre os diferentes âmbitos administrativos, maior será a precisão ao se informar aos cidadãos e se conseguirá, ao mesmo tempo, identificar e combater mais rapidamente as fraudes.

JC - Qual sua opinião sobre a proposta de separar, no Brasil, a administração tributária das secretarias de fazenda, a exemplo do modelo espanhol?

Verdún - Talvez o ponto mais importante é que, quando unificado, os cidadãos identificam com maior facilidade o órgão responsável pela administração dos impostos. É como uma janela única a qual se dirigem os cidadãos tanto no momento de pagar, quanto na hora de cobrar. Já, quando há a separação por especialização o que se vê é um benefício para a própria administração.

JC - Como se pode caracterizar o papel de uma agência tributária?

Verdún - A agência tributária é a que se encarrega, fundamentalmente, de controlar o adequado cumprimento das obrigações por parte dos contribuintes, que pagam seus impostos. Então, por uma parte, os assessora, os informa e os ajuda no cumprimento voluntário de suas obrigações (explica como eles devem fazer o pagamento) e, por outra parte, se encarrega de fiscalizar, uma vez apresentadas as declarações, que elas são corretas e correspondem à realidade. Então, se comprova a situação dos contribuintes e caso se encontre alguma irregularidade, se procura regularizar a situação.

JC - Como se caracteriza o modelo tributário espanhol?

Verdún - O IVA (Imposto sobre Valor Agregado) é uma das grandes partes do sistema tributário. Os impostos, na Espanha, são de dois tipos: de imposição direta, como o que se aplica sobre a renda das pessoas físicas e as imposições sobre as sociedades (pessoas jurídicas). Também se tributa de forma indireta, ou seja o IVA, que se paga quando compramos ou adquirimos serviços.

JC - Qual a vantagem de se adotar um modelo baseado no IVA?

Verdún - A vantagem que se tem em um sistema tributário baseado em impostos indiretos, como o IVA, é que é um mecanismo mais simples no que se refere ao recolhimento dos tributos. Qualquer um de nós, enquanto particulares, ao comprar um bem ou serviço, o que fazemos, além de pagar por esse produto, é recolher o IVA. Enquanto num modelo baseado na imposição de caráter indireto, como os impostos de renda, a estrutura é mais complexa. Os rendimentos que temos podem ser de diferentes naturezas e, sobre eles, o imposto costuma ter graduações, de caráter progressivo para que se pague mais conforme se ganha mais.

JC - Em termos de comércio exterior, qual a vantagem de se ter sistemas tributários semelhantes?

Verdún - Isso é muito importante para fomentar as transações, porque quando um empresário está comprando ou vendendo a um país que não é o seu, é importante que saiba quanto está pagando nesse país. Se entre todos os países existir critérios harmonizados e tributos similares, então isso fomentará o comércio internacional porque os empresários conhecerão de antemão o que vão pagar nos distintos países e estados.

Fonte: Jornal do Comércio

Marcelo Teixeira Cossalter

teixeira@rcsauditores.com.br

 

Para mais informações: (011) 3045-5885